História

O surgimento da COOPAR está diretamente ligado ao trabalho do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor – CAPA –  em São Lourenço do Sul e região. O CAPA iniciou na região no ano de 1982, mas se intensificou a partir de 1985,com a instalação de um escritório em São Lourenço do Sul.

Chamou atenção da equipe  a ausência de organização dos agricultores, como  associações comunitárias no meio rural. Para viabilizar o trabalho técnico nas áreas de agricultura, saúde e formação, foram formados grupos de famílias, inicialmente com forte  apoio dos pastores da IECLB.

O tema da comercialização  era uma preocupação das famílias. Os pequenos comércios e intermediários não conseguiam mais responder as necessidades de mercado para os produtos, como milho, feijão, batata, cebola, alho e hortaliças.  A falta de perspectivas de comércio firme para estes produtos estava se tornando um forte fator de desestímulo para sua produção. O fumo cada vez mais era visto como  única alternativa para a pequena propriedade.

A necessidade de organização entre os agricultores foi sendo percebida e compreendida como fundamental para buscar alternativas. Assim em 1988 surgiram as primeiras associações, como a de Trabalhadores do Faxinal, de Pinheirinhos e a do Socorro.  Uma novidade no cenário rural do município, que sofreu resistências e contestações. O CAPA viu que, junto com os agricultores organizados, deveria enfrentar o desafio da comercialização. Para tanto adquiriu um caminhão. A primeira experiência de comercialização direta entre agricultores e consumidores urbanos deu-se com Pelotas. Uma engenharia colocava frente a frente representantes dos agricultores e consumidores, que discutiam e acertavam preços, quantidades e entregas. A idéia era generosa: pequenos agricultores vendendo seus produtos diretamente para os moradores da cidade, sem intermediários. Porém os problemas venceram a boa vontade e a experiência fracassou. Os agricultores estavam dispostos a buscar outros caminhos.

A Prefeitura de Porto Alegre, com o prefeito Olívio Dutra, abriu espaço para a comercialização direta – os Pontos de Feira. Este mercado passou a ser explorado, com a venda de produtos como batata, cebola, alho e feijão, principalmente. Em cada comercialização, um representante de uma associação acompanhava o caminhão a Porto Alegre. Em 1991, a CEASA abriu uma filial em Pelotas e os agricultores organizados disputaram um espaço. Em nome da Associação do Faxinal conseguiram um Box, passando a comercializar volumes maiores de batata e cebola.  Este processo estava a exigir um nível de organização crescente.

Na busca por um novo patamar de organização para a comercialização, especula-se a idéia de formar uma cooperativa. Mas o cooperativismo não era bem visto pelos agricultores e muito menos pelos comerciantes e intermediários. Na própria equipe do CAPA não havia um consenso a respeito desta proposta. A imagem era das grandes cooperativas e o distanciamento entre direções e agricultores. Então o agrônomo Ellemar Wojahn  resolve se aprofundar no tema cooperativismo, fazendo um curso de Especialização junto a UNISINOS. Seu trabalho de conclusão no ano de 1989,com o título – UMA EXPERIÊNCIA COOPERATIVISTA ENTRE PEQUENOS AGRICULTORES- projeta a criação de uma cooperativa em São Lourenço do Sul e avalia seus possíveis efeitos.

A discussão junto às associações e grupos informais se arrastava há no mínimo três anos. Porém no ano de 1992 optou-se em partir para a prática. Em torno de 200 famílias estavam organizadas em associações e grupos informais e seriam  a base social da futura cooperativa. O CAPA adquiriu uma antiga casa de comércio, com prédios e 4,3 hectares de terra, na localidade de  Boa Vista, centro da colônia. Posteriormente, este patrimônio foi doado para a COOPAR.

Porém o ato de fundação da COOPAR no dia 30 de maio de 1992, um sábado de sol,  teve a presença de apenas 41 pessoas, consideradas sócios fundadores. Entre estes ainda alguns técnicos da equipe do CAPA. A maioria preferiu ver para crer.  Entre os sócios fundadores a tarefa de presidência coube a Ellemar Wojahn, a pedido dos agricultores. O acordo foi que seria apenas por um mandato de 3 anos e que o próximoei seria um agricultor. Mas a presidência do segundo mandato ainda ficou com um técnico do CAPA – o agrônomo José Sidney Nunes de Almeida. Porém a partir do terceiro mandato, todos os presidentes e dirigentes passaram a ser exclusivamente de agricultores.

O CAPA apoiou firmemente a COOPAR em seus primeiros 10 anos de vida. Por 4 anos pagou o salário de Luiz Artur Eichholz, gerente geral. José Nunes atuou como técnico do CAPA diversos anos junto à COOPAR. Repassou 2 caminhões e toda a organização de comercialização,como o Box da CEASA em Pelotas. Nos momentos de dificuldade financeira, aportou recursos na forma de empréstimos do Fundo Rotativo. A presença de lideranças das associações, fluentes no idioma pomerano, desde o primeiro dia de funcionamento da COOPAR, como Amilton Strelow  e Ruy Pescke, criaram um ambiente de identidade cultural e confiança, que foram de fundamental importância  para a consolidação da proposta cooperativista.  Nada teria sido suficiente se os agricultores não abraçassem a proposta cooperativista  como uma ferramenta poderosa para a melhoria de vida no meio rural.

Eng. Agrônomo Ellemar Wojahn

Sócio Fundador e 1º  Presidente